Encontro reuniu lideranças estaduais, debateu infraestrutura digital, política nacional de data centers e reforçou o papel da governança na transformação dos serviços públicos
A 176ª Reunião Ordinária do Conselho de Associadas (ROCA) da ABEP-TIC, realizada nos dias 26 e 27 de fevereiro, em Vitória (ES), marcou oficialmente a abertura da agenda 2026 da entidade com debates estratégicos sobre infraestrutura digital, política nacional de data centers, governança e fortalecimento da cooperação entre os estados.
Durante dois dias de programação, dirigentes das PRODs estaduais aprofundaram discussões sobre os desafios e as oportunidades que impactam diretamente a TIC pública brasileira — especialmente em um cenário global marcado por instabilidades no mercado de semicondutores e memória, que afetam cadeias produtivas e custos tecnológicos.


Cenário econômico e posicionamento institucional
Em entrevista durante o evento, o presidente executivo da ABEP-TIC, José Rebouças, destacou que o momento exige atenção estratégica e articulação institucional. “Estamos vivendo um ano com muitas variáveis. Há incertezas no mercado de chips e memória que impactam o setor. Precisamos nos aproximar de outros segmentos e reforçar nossa posição como um mercado público forte, que influencia o custo Brasil e, consequentemente, o custo para os estados e para o cidadão”, afirmou.
Segundo ele, o papel da ABEP-TIC diante desse cenário é ampliar o diálogo com entidades nacionais, como a Brasscom, que participou desta edição do evento, e órgãos estratégicos, fortalecendo o posicionamento institucional do setor público de TIC. “Não podemos transferir custos especulativos para o cidadão. Nosso compromisso é com eficiência, responsabilidade e previsibilidade”.
Tecnologia com governança e foco no cidadão
O secretário de Estado de Gestão e Recursos Humanos do Espírito Santo, Marcelo Calmon Dias, ressaltou a relevância do encontro para o fortalecimento da governança pública digital.
“Hoje a tecnologia da informação é um elemento essencial para que os governos ofereçam serviços de qualidade no tempo necessário para a sociedade. Mas tecnologia é apenas uma parte do processo. Envolve governança, investimento e, principalmente, pessoas”, afirmou.
Para o secretário, ampliar o acesso da população aos serviços digitais nas áreas de saúde, educação e assistência social é prioridade. Ele destacou ainda que, mesmo diante da evolução tecnológica, o elemento humano permanece central. “O serviço não pode ser desumanizado. A qualificação das pessoas e o cuidado com o cidadão são essenciais.”
Política nacional de data centers e protagonismo do Brasil
Um dos destaques da programação foi a apresentação sobre a Política Nacional de Data Centers e o programa Redata, conduzida por Walter Wolf, diretor de Parcerias e Projetos em Tecnologia da Brasscom.
Segundo ele, o Brasil vive um momento decisivo com a aprovação do projeto de lei relacionado ao Redata no Congresso Nacional, agora em tramitação no Senado. A proposta prevê incentivos para transformar o país em um grande polo global de processamento de dados.
“O Brasil já tem condições estruturais: energia, telecomunicações e ambiente técnico preparado. Com os incentivos adequados, podemos atrair bilhões de investimentos nos próximos cinco anos e impactar positivamente a balança comercial”, afirmou.
Walter Wolf destacou ainda que a gestão pública tem papel estratégico nesse processo. “A colaboração com os estados será fundamental para consolidar esse cenário e posicionar o Brasil como potência em data centers.”
Integração e próximos passos
A 176ª ROCA reforçou o compromisso da ABEP-TIC com uma atuação articulada, estratégica e orientada a resultados. O encontro consolidou encaminhamentos para 2026 e reafirmou que a TIC pública brasileira está preparada para enfrentar desafios globais com planejamento, cooperação federativa e foco no cidadão.
De Vitória, ficou a mensagem: infraestrutura, governança e integração são os pilares para que a transformação digital avance com responsabilidade e impacto real na vida das pessoas.





