Brasília sediou, nos dias 11 e 12 de junho, a 178ª Reunião Ordinária do Conselho de Associadas (ROCA), promovida pela Associação Brasileira de Entidades Estaduais e Públicas de Tecnologia da Informação e Comunicação (ABEP-TIC). O encontro reuniu dirigentes das empresas públicas estaduais de TIC, especialistas e parceiros estratégicos para discutir os desafios e oportunidades da transformação digital nos governos brasileiros.
Ao longo dos dois dias de programação, temas como inteligência artificial, cibersegurança, privacidade, computação em nuvem, modernização da gestão pública e inovação governamental estiveram no centro dos debates. As apresentações técnicas e os espaços de interação entre as associadas reforçaram o papel da ABEP-TIC como ambiente de cooperação e construção coletiva de soluções para o setor público.
Para o presidente do Conselho de Associadas da ABEP-TIC e presidente da PROCERGS, Luiz Fernando Záchia, o momento vivido pelos estados exige ainda mais integração entre as entidades públicas de tecnologia. “Um ano de Copa do Mundo e eleições traz desafios adicionais para os gestores públicos. Muitas vezes há mudanças de equipes e prioridades ao longo do caminho. Quando os estados possuem políticas claras e estruturadas, conseguem reduzir esses impactos e manter seus projetos avançando”, destacou.
Záchia ressaltou que a ABEP-TIC cumpre um papel fundamental ao reunir as diferentes realidades dos estados brasileiros em um mesmo espaço de diálogo. “A ABEP tem essa importância de permitir a discussão e oferecer uma radiografia das dificuldades enfrentadas pelos estados. Eu sempre defendo a união. Precisamos fortalecer cada vez mais essa atuação conjunta para que todos avancem no desenvolvimento da inovação, que hoje é decisiva para o país.”
Inteligência artificial domina as discussões
A inteligência artificial apareceu como um dos temas mais presentes da programação. Entre os destaques estiveram debates sobre Governo Inteligente, uso estratégico de dados, IA agêntica, nuvem soberana, automação de processos e aplicação prática dessas tecnologias na administração pública.
Durante sua participação na ROCA, o fundador e CEO da Universo Ágil, André Ágil Sanches, apresentou conceitos relacionados à inteligência artificial agêntica, modelo baseado em agentes autônomos capazes de executar tarefas de forma contínua e integrada. “Trouxemos a inteligência artificial agêntica como uma forma de trabalho que ajuda as instituições a entregarem mais resultados com menor custo e funcionamento permanente. Quando utilizamos múltiplos agentes atuando nas organizações, conseguimos ampliar a eficiência operacional e liberar as equipes para atividades de maior valor agregado”, explicou.
Segundo ele, a adoção dessas tecnologias deve provocar uma profunda transformação na forma como os governos executam atividades operacionais e prestam serviços à população.
O papel estratégico das empresas públicas de tecnologia
Outro destaque do encontro foi a discussão sobre o papel das empresas públicas estaduais de TIC na democratização do acesso à inteligência artificial e na implementação dessas soluções em larga escala.
Pesquisador em Inteligência Artificial e Transformação Digital, o professor Antonio Netto destacou que as PRODs ocupam uma posição estratégica nesse processo por atuarem como provedoras de serviços compartilhados para toda a estrutura governamental.
“As PRODs têm um papel decisivo e fundamental na aplicação da inteligência artificial para a sociedade. Muitas delas já atuam como intermediadoras de soluções de IA para os governos e possuem capacidade de transformar essas tecnologias em serviços acessíveis para milhões de cidadãos”, afirmou.
Para o especialista, um dos principais desafios atuais está na contratação e orquestração das diferentes soluções disponíveis no mercado.
“O mercado de inteligência artificial é extremamente dinâmico. Por isso, a capacidade das empresas públicas de organizar, integrar e disponibilizar essas soluções de forma estruturada será fundamental para acelerar a adoção da IA na administração pública.”
Compartilhando experiências e acelerando resultados
A troca de experiências entre os estados foi outro ponto forte da programação. Representando a TI Maranhão, a presidente interina e diretora de Governança e Projetos, Cláudia Pimentel, destacou a importância do retorno da empresa ao ambiente de colaboração promovido pela ABEP-TIC.
“Fazia algum tempo que não participávamos desse espaço de interação. Voltamos para conhecer iniciativas, acompanhar inovações e entender o que está sendo desenvolvido em outros estados. Saímos daqui com ideias e soluções que podem ser aplicadas no Maranhão, especialmente nas áreas de segurança e transformação digital”, relatou.
Além das apresentações técnicas, a programação contou com discussões voltadas ao SECOP 2026 e aos impactos da inteligência artificial nos processos de contratação de tecnologia, tema cada vez mais relevante para a modernização da gestão pública brasileira.
Ao final da 178ª ROCA, ficou evidente que a colaboração entre as associadas, o compartilhamento de boas práticas e a busca por soluções inovadoras continuam sendo elementos centrais para fortalecer a transformação digital dos governos estaduais e ampliar a qualidade dos serviços prestados à população.
“A tendência natural é a inteligência artificial. Os estados que já estão mais avançados precisam compartilhar suas experiências para que os demais possam acelerar seus projetos. A sociedade tem cada vez mais necessidade da participação efetiva dessas soluções em seu dia a dia”, concluiu Luiz Fernando Záchia.





